"Nois inganemo oces... fingimu que fumo e vortemos o nois aqui traveis..."
Adoniran Barbosa
Tava morrendo de saudades. mas deixo aqui um alerta
CUIDADO MAMÃES E PAPAIS COM O BULLYING NAS ESCOLAS
Bullying
Origem: Wikipédia, a enciclopédia
livre.
Bullying (anglicismo, bullying, pronuncia-se AFI: [ˈbʊljɪŋ]) é um termo utilizado para descrever atos de violência física
ou psicológica, intencionais e repetidos,
praticados por um indivíduo (do inglês bully, tiranete ou valentão)
ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma
relação desigual de poder.1
Em 20% dos casos as pessoas são simultaneamente
vítimas e agressoras de bullying, ou seja, em determinados momentos cometem
agressões, porém também são vítimas de assédio escolar pela turma. Nas escolas,
a maioria dos atos de bullying ocorre fora da visão dos adultos e grande parte
das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida.2
Terminologia
Devido ao fato de ser um fenômeno que só
recentemente ganhou mais atenção, o assédio escolar ainda não possui um termo
específico consensual3 , sendo o termo em inglês bullying constantemente utilizado pela mídia de
língua portuguesa. Existem, entretanto, alternativas como acossamento, ameaça, assédio, intimidação4 ,
além dos mais informais judiar e implicar5 ,
além de diversos outros termos utilizado pelos próprios estudantes em diversas
regiões.
No Brasil, o Dicionário
Houaiss da Língua Portuguesa indica
a palavra bulir como equivalente a mexer com, tocar, causar incômodo
ou apoquentar, produzir apreensão em, fazer caçoada, zombar e falar sobre,
entre outros.6 Por
isso, são corretos os usos dos vocábulos derivados, também inventariados pelo
dicionário, como bulimento (o ato ou efeito de bulir) e bulidor (aquele que pratica o bulimento).6
Caracterização do assédio escolar
Acossamento,5 ou
"intimidação" ou entre falantes de língua inglesa bullying é um termo frequentemente usado para
descrever uma forma de assédio interpretado
por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre
alguém ou sobre um grupo mais fraco.
O cientista sueco - que trabalhou por muito
tempo em Bergen (Noruega) - Dan Olweus define assédio escolar em três termos essenciais:7
1. o comportamento é agressivo e negativo;
2. o comportamento é executado repetidamente;
3. o comportamento ocorre num relacionamento onde há um
desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.
O assédio escolar divide-se em duas
categorias:[2]
1. assédio escolar direto;
2. assédio escolar indireto, também conhecido como agressão social
O bullying
direto é a forma mais comum
entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying
indireto é a forma mais comum
em bullies do sexo feminino e crianças pequenas,
e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é
obtido por meio de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:
·
espalhar comentários;
·
recusa em se socializar
com a vítima;
·
intimidar outras pessoas
que desejam se socializar com a vítima;
·
ridicularizar o modo de
vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da
vítima, religião, incapacidades etc).
O assédio pode ocorrer em situações
envolvendo a escola ou faculdade/universidade, o local de trabalho, os vizinhos
e até mesmopaíses. Qualquer que seja a situação, a
estrutura de poder é tipicamente evidente entre o agressor (bully) e a vítima.
Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor depende
somente da percepção da vítima, que parece estar a mais intimidada para
oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para
temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência
física/sexual, ou perda dos meios de subsistência.
Deve-se encorajar os alunos a participarem
ativamente da supervisão e intervenção dos atos de bullying, pois o
enfrentamento da situação pelas testemunhas demonstra aos autores do bullying
que eles não terão o apoio do grupo. Uma outra estratégia é a formação de
grupos de apoio, que protegem os alvos e auxiliam na solução das situações de
bullying. Alunos que buscam ajuda tem 75,9% de reduzirem ou cessarem um caso de
bullying.2
Os professores devem lidar e resolver
efetivamente os casos de bullying, enquanto as escolas devem aperfeiçoar suas
técnicas de intervenção e buscar a cooperação de outras instituições, como os
centros de saúde, conselhos tutelares e redes de apoio social.2
Características dos bullies
Em um estudo entre alunos autores de bullying, 51,8% afirmaram que não
receberam nenhum tipo de orientação ou advertência por seus atos. Provavelmente
porque 41,6% dos que admitiram ser alvos de bullying relataram não ter
solicitado ajuda aos colegas, professores ou família.8
Pesquisas9 indicam
que adolescentes agressores têm personalidades autoritárias, combinadas com uma
forte necessidade de controlar ou dominar.
Também tem sido sugerido10 que
uma deficiência em habilidades sociais e um ponto de vista preconceituoso sobre
subordinados podem ser particulares fatores de risco. Estudos adicionais11 têm
mostrado que enquanto inveja e ressentimento podem ser motivos para a prática
do assédio escolar, ao contrário da crença popular, há pouca evidência que
sugira que os bullies (ou bulidores)6 sofram
de qualquer déficit deautoestima.12 Outros pesquisadores também
identificaram a rapidez em se enraivecer e usar a força, em acréscimo a
comportamentos agressivos, o ato de encarar as ações de outros como hostis, a
preocupação com a autoimagem e o empenho em ações obsessivas ou rígidas.13
É frequentemente sugerido que os
comportamentos agressivos têm sua origem na infância:
"Se o
comportamento agressivo não é desafiado na infância, há o risco de que ele se
torne habitual. Realmente, há evidência documental que indica que a prática do
assédio escolar durante a infância põe a criança em risco de comportamento
criminoso e violência doméstica na idade adulta".14
O assédio escolar não
envolve necessariamente criminalidade ou violência. Por exemplo, o assédio
escolar frequentemente funciona por meio de abuso psicológico ou verbal.
Os bullies sempre existiram mas eram (e ainda
são) chamados em português de rufias, esfola-caras, brigões, acossadores,
cabriões, avassaladores, valentões e verdugos.
Os valentões costumam ser hostis, intolerantes e
usar a força para resolver seus problemas.15Porém, eles também frequentemente
foram vítimas de violência, maus-tratos, vulnerabilidade genética, falência
escolar e experiências traumáticas. Comportamentos autodestrutivos como consumo
de álcool e drogas e correr riscos desnecessários são vistos com mais
frequência entre os autores de bullying.16
Quanto mais sofrem com
violência e abusos, mais provável é deles repetirem esses comportamentos em sua
vida diária e negligenciarem seu próprio bem estar.17
Tipos de assédio escolar
Enquanto a sociedade não resolver o problema
de bullying nas escolas, dificilmente conseguirão reduzir as outras formas de
comportamentos agressivos e destrutivos entre adultos.18
Os bullies usam principalmente uma combinação de
intimidação e humilhação para atormentar os outros. Alguns exemplos das
técnicas de assédio escolar:
·
acusar sistematicamente
a vítima de não servir para nada;
·
ataques físicos
repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade.
·
interferir com a
propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas, etc,
danificando-os.
·
espalhar rumores
negativos sobre a vítima;
·
depreciar a vítima sem
qualquer motivo;
·
fazer com que a vítima
faça o que ela não quer, ameaçando-a para seguir as ordens;
·
colocar a vítima em
situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma
ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi
exagerado pelo bully;
·
fazer comentários
depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o
local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação
sexual, religião,etnia,
nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida
da qual obully tenha
tomado ciência;
·
isolamento social da
vítima;
·
expressões ameaçadoras;
·
grafitagem depreciativa;
·
usar de sarcasmo
evidente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o
controle e a posição em relação à vítima (isto ocorre com frequência logo após
o bully avaliar que a pessoa é uma
"vítima perfeita");
·
fazer que a vítima passe
vergonha na frente de várias pessoas.
Bullying professor-aluno
O assédio escolar pode
ser praticado de um professor para um aluno.19 20 21 22 23 24 As técnicas mais comuns são:
·
intimidar o aluno em voz
alta rebaixando-o perante a classe e ofendendo sua autoestima. Uma forma mais
cruel e severa é manipular a classe contra um único aluno o expondo a
humilhação;
·
assumir um critério mais
rigoroso na correção de provas com o aluno e não com os demais. Alguns professores
podem perseguir alunos com notas baixas;
·
ameaçar o aluno de
reprovação;
·
negar ao aluno o direito
de ir ao banheiro ou beber água, expondo-o a tortura psicológica;
·
difamar o aluno no
conselho de professores, aos coordenadores e acusá-lo de atos que não cometeu;
·
tortura física, mais
comum em crianças pequenas; puxões de orelha, tapas e cascudos.
Locais de assédio
O assédio pode acontecer
em qualquer contexto no qual seres humanos interajam, tais como escolas,
universidades, famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho.
Escolas
Em escolas, o assédio
escolar geralmente ocorre em áreas com supervisão adulta mínima ou inexistente.
Ele pode acontecer em praticamente qualquer parte, dentro ou fora do prédio da
escola.
Alguns sinais são comuns
como a recusa da criança de ir à escola ao alegar sintomas como dor de barriga ou apresentar
irritação, nervosismo ou tristeza anormais.15
Um caso extremo de
assédio escolar no pátio da escola foi o de um aluno do oitavo ano chamadoCurtis Taylor,
numa escola secundária em Iowa, Estados Unidos, que foi vítima de assédio
escolar contínuo por três anos, o que incluía alcunhas jocosas, ser espancado
num vestiário, ter a camisa suja com leite achocolatado e os pertences
vandalizados. Tudo isso acabou por o levar ao suicídio em21 de Março de 1993.
Alguns especialistas em "bullies" denominaram essa reação extrema de
"bullycídio". Os que sofrem o bullying acabam desenvolvendo problemas
psíquicos muitas vezes irreversíveis, que podem até levar a atitudes extremas
como a que ocorreu com Jeremy Wade Delle. Jeremy se matou em 8 de janeirode 1991,
aos 15 anos de idade, numa escola na cidade de Dallas, Texas, EUA,
dentro da sala de aula e em frente de 30 colegas e da professora de inglês,
como forma de protesto pelos atos de perseguição que sofria constantemente.
Esta história inspirou uma música (Jeremy) interpretada por Eddie Vedder, vocalista da banda estadunidense Pearl Jam.
Na última década de 90,
os Estados Unidos viveram uma epidemia de tiroteios em
escolas (dos quais o mais notório foi o massacre de
Columbine). Muitas das crianças por trás destes tiroteios afirmavam
serem vítimas de bullies e que somente haviam recorrido àviolência depois
que a administração da escola havia falhado repetidamente em intervir. Em
muitos destes casos, as vítimas dos atiradores processaram tanto as famílias dos
atiradores quanto as escolas.
Como resultado destas
tendências, escolas em muitos países passaram a desencorajar fortemente a
prática do assédio escolar, com programas projetados para promover a cooperação
entre os estudantes, bem como o treinamento de alunos como moderadores para
intervir na resolução de disputas, configurando uma forma de suporte por parte
dos pares.
O assédio escolar nas
escolas pode também assumir, por exemplo, a forma de avaliações abaixo da
média, não retorno das tarefas escolares, segregação de estudantes competentes
por professores incompetentes ou não-atuantes, para proteger a reputação de uma
instituição de ensino. Isto é feito para que seus programas e códigos internos
de conduta nunca sejam questionados, e que os pais (que geralmente pagam as
taxas) sejam levados a acreditar que seus filhos são incapazes de lidar com o
curso. Tipicamente, estas atitudes servem para criar a política não-escrita de
"se você é estúpido, não merece ter respostas; se você não é bom, nós não
te queremos aqui". Frequentemente, tais instituições (geralmente em países asiáticos)
operam um programa de franquia com instituições estrangeiras (quase sempre ocidentais),
com uma cláusula de que os parceiros estrangeiros não opinam quanto a avaliação
local ou códigos de conduta do pessoal no local contratante. Isto serve para
criar uma classe de tolos
educados, pessoas com títulos acadêmicos que não aprenderam a adaptar-se a
situações e a criar soluções fazendo as perguntas certas e resolvendo
problemas.
Local de trabalho
O assédio escolar em
locais de trabalho (algumas vezes chamado de Assédio
escolar Adulto) é descrito pelo Congresso Sindical doReino Unido27 como:
"Um
problema sério que muito frequentemente as pessoas pensam que seja apenas um
problema ocasional entre indivíduos. Mas o assédio escolar é mais do que um
ataque ocasional de raiva ou briga. É uma intimidação regular e persistente que
solapa a integridade e confiança da vítima do bully.
E é frequentemente aceita ou mesmo encorajada como parte da cultura da
organização".
Vizinhança
Entre vizinhos o assédio
escolar normalmente toma a forma de intimidação por comportamento
inconveniente, tais como barulho excessivo para perturbar o sono e os padrões
de vida normais ou fazer queixa às autoridades (tais como a polícia) por
incidentes menores ou forjados. O propósito desta forma de comportamento é
fazer com que a vítima fique tão desconfortável que acabe por se mudar da
propriedade. Nem todo comportamento inconveniente pode ser caracterizado como
assédio escolar: a falta de sensibilidade pode ser uma explicação.
Política
O assédio escolar entre
países ocorre quando um país decide impôr sua vontade a outro. Isto é feito,
normalmente, com o uso de força militar, a ameaça de que ajuda e doações não
serão entregues a um país menor ou não permitir que o país menor se associe a
uma organização de comércio.
Militar

Em 2000,
o Ministério da Defesa (MOD) do Reino Unido definiu
o assédio como : "…o uso de força física ou abuso de autoridade para
intimidar ou vitimizar outros, ou para infligir castigos ilícitos".28 Todavia, é afirmado que o assédio
militar ainda está protegido contra investigações abertas. O caso das Deepcut Barracks, no Reino
Unido, é um exemplo do governo se recusar a conduzir um inquérito público
completo quanto a uma possível prática de assédio escolar militar. Alguns
argumentam que tal comportamento deveria ser permitido por causa de um consenso
acadêmico generalizado de que os soldados são diferentes dos outros postos. Dos
soldados se espera que estejam preparados para arriscarem suas vidas, e alguns
acreditam que o seu treinamento deveria desenvolver o espirito de corpo para
aceitar isto.29 Em
alguns países, rituais humilhantesentre os recrutas têm sido
tolerados e mesmo exaltados como um "rito de passagem" que constrói o
caráter e a resistência; enquanto em outros, o assédio sistemático dos postos
inferiores, jovens ou recrutas mais fracos pode na verdade ser encorajado pela
política militar, seja tacitamente ou abertamente (veja dedovschina).
Também, as forças armadas russas geralmente fazem com que candidatos
mais velhos ou mais experientes abusem - com socos e pontapés - dos soldados
mais fracos e menos experientes..30
Alcunhas ou apelidos (dar nomes)
Normalmente, uma alcunha (apelido) é dada a alguém por um
amigo, devido a uma característica única dele. Em alguns casos, a concessão é
feita por uma característica que a vítima não quer que seja chamada, tal como
uma orelha grande ou forma obscura em alguma parte do corpo. Em casos extremos,
professores podem ajudar a popularizá-la, mas isto é geralmente percebido como
inofensivo ou o golpe é sutil demais para ser reconhecido. Há uma discussão
sobre se é pior que a vítima conheça ou não o nome pelo qual é chamada.
Todavia, uma alcunha pode por vezes tornar-se tão embaraçosa que a vítima terá
de se mudar (de escola, de residência ou de ambos).
Indicativos de estar sofrendo bullying
Vítimas de bullying tem mais chance de
desenvolverem transtornos de humor, transtornos alimentares, distúrbios de sono
ou/e transtornos de ansiedade em algum momento da vida.31
Sinais e sintomas
possíveis de serem observados em alunos alvos de bullying2 :
·
dores e marcas de
ferimentos;
·
isolamento social/
poucos ou nenhum amigo;
·
irritabilidade /
agressividade;
·
relatos de medo
regulares;
·
resistência/aversão a ir
à escola;
·
demonstrações constantes
de tristeza;
·
mau rendimento escolar;
·
atos deliberados de
autoagressão.
Legislação
No Brasil,
a gravidade do ato pode levar os jovens infratores à aplicação de medidas
sócio-educativas.15 De
acordo com o código penal brasileiro, a negligência com um crime pode ser tida
como uma coautoria.15 Na
área cível, e os pais dos bullies podem, pois, ser obrigados a pagar
indenizações e podem haver processos por danos morais.15
Um das referências sobre
o assunto, no Brasil, é um artigo escrito pelo ministro Marco Aurélio
Mello, intitulado Bullying
- aspectos jurídicos.6
A legislação jurídica do
estado brasileiro de São Paulo define
assédio escolar como atitudes de violência física ou psicológica, que ocorrem
sem motivação evidente praticadas contra pessoas com o objetivo de intimidá-las
ou agredi-las, causando dor e angústia.32
Os atos de assédio
escolar configuram atos ilícitos, não porque não estão autorizados pelo nosso
ordenamento jurídico, mas por desrespeitarem princípios constitucionais (ex: dignidade da pessoa humana) e o Código Civil, que determina que todo ato
ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. A responsabilidade
pela prática de atos de assédio escolar pode se enquadrar também no Código de Defesa
do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam serviço aos
consumidores e são responsáveis por atos de assédio escolar que ocorram nesse
contexto.33
No estado brasileiro do Rio de Janeiro, uma lei estadual sancionada em 23 de setembro de 2010 institui a obrigatoriedade de escolas
públicas e particulares notificarem casos de bullying à polícia.34 Em
caso de descumprimento, a multa pode ser de três a 20 salários mínimos (até R$
10.200) para as instituições de ensino.34
Na cidade brasileira de Curitiba todas as escolas têm de registrar os
casos de bullying em um livro de ocorrências, detalhando a agressão, o nome dos
envolvidos e as providências adotadas.4
Condenações legais
Dado que a cobertura da
mídia tem exposto o quão disseminada é a prática do assédio escolar, os júris
estão agora mais inclinados do que nunca a se simpatizarem com as vítimas. Em
anos recentes, muitas vítimas têm movido ações judiciais diretamente contra os
agressores por "imposição intencional de sofrimento emocional" e
incluindo suas escolas como acusadas, sob o princípio da responsabilidade
conjunta. Vítimas norte-americanas e suas famílias têm outros recursos legais,
tais como processar uma escola ou professor por falta de supervisão adequada,
violação dos direitos civis, discriminação racial ou de gênero ou assédio moral.
No Brasil
Uma pesquisa do IBGE realizada em 2009 revelou que quase um terço (30,8%) dos
estudantes brasileiros informou já ter sofridobullying, sendo maioria
das vítimas do sexo masculino. A maior proporção de ocorrências foi registrada
em escolas privadas (35,9%), ao passo que nas públicas os casos atingiram 29,5%
dos estudantes.35
No Brasil, uma pesquisa
realizada em 2010 com 5.168 alunos de 25 escolas
públicas e particulares revelou que as humilhações típicas do bullying são
comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. Entre todos os entrevistados, pelo menos
17% estão envolvidos com o problema - seja intimidando alguém, sendo intimidados
ou os dois. A forma mais comum é a cibernética, a partir do envio de e-mails
ofensivos e difamação em sites de relacionamento como o Orkut.36
Em 2009,
uma pesquisa do IBGE apontou as cidades de Brasília e Belo Horizonte como as capitais brasileiras com
maiores índices de assédio escolar, com 35,6% e 35,3%, respectivamente, de
alunos que declararam esse tipo de violência nos últimos 30 dias.37
Casos célebres
Na Grande São Paulo, uma menina apanhou até
desmaiar por colegas que a perseguiam38 e em Porto Alegre um
jovem foi morto com arma de fogo durante um longo processo de assédio escolar.39
Em maio de 2010,
a Justiça obrigou
os pais de um aluno do Colégio
Santa Doroteia, no bairro Sion de Belo Horizonte, a pagar uma indenização de R$
8 mil a uma garota de 15 anos por conta de assédio escolar40 . A estudante foi classificada como G.E. (sigla para integrantes de grupo de excluídos) por ser
supostamente feia e as insinuações se tornaram frequentes com o passar do
tempo, e entre elas, ficaram as alcunhas de tábua, prostituta, sem peito e sem
bunda.41 42 Os pais da menina alegaram que
procuraram a escola, mas não conseguiram resolver a questão.43 44 O juiz relatou que as atitudes do
adolescente acusado pareciam não ter "limite" e que ele
"prosseguiu em suas atitudes inconvenientes de 'intimidar'", o que
deixou a vítima, segundo a psicóloga que depôs no caso, "triste,
estressada e emocionalmente debilitada"45 .
O colégio de classe média alta não foi responsabilizado.45
Na USP,
o jornal estudantil O Parasita ofereceu um convite a uma festa brega aos estudantes do curso que, em troca,
jogassem fezes em um gay.46 47 Um
dos alunos a quem o jornal faz referência chegou a divulgar, em outra ocasião,
estudantes da Farmácia chegaram a atirar uma lata de cerveja cheia em um casal
de homossexuais, que também era do curso, durante o tradicional happy hour de
quinta-feira na Escola de Comunicações e Artes da USP. Ele disse que não
pretende tomar nenhuma providência judicial contra os colegas, embora tenha
ficado revoltado com a publicação da cartilha.47
Também em junho de 2010,
um aluno de nona série do Colégio
Neusa Rocha, no Bairro São Luiz,
na região da Pampulha de Belo Horizonte, foi espancado na saída de seu
colégio, com a ajuda de mais seis estudantes armados com soco inglês.48 A
vítima ficou sabendo que o grupo iria atacar outro colega por ele ser
"folgado e atrevido", sendo inclusive convidada a participar da
agressão.48
Em entrevista ao Estado de Minas, disse: Eles me chamaram para brigar com o
menino. Não aceitei e fui a contar a ele o que os outros estavam querendo
fazer, como forma de alertá-lo. Quando a dupla soube que contei, um deles
colocou o dedo na minha cara e me ameaçou dentro de sala, durante aula de
ciências. Ele ainda ligou, escondido, pelo celular, para outro colega, que
estuda pela manhã, e o chamou para ir à tarde na escola.[carece de
fontes]
Em recente caso julgado
no Rio Grande do Sul (Proc. nº 70031750094 da 6ª Câmara
Cível do TJRS), a mãe do bullie foi condenada civilmente a pagar
indenização no valor de R$ 5 mil (cinco mil reais) à vítima. Foi um legítimo
caso de cyberbullying, já que o dano foi causado por
meio da Internet, em fotolog (flog) hospedado pelo Portal Terra. No caso, o
Portal não foi responsabilizado, pois retirou as informações do ar em uma
semana. Não ficou claro, entretanto, se foi uma semana após ser avisado
informalmente ou após ser judicialmente notificado.51
Alguns casos de assédio
escolar entre crianças têm anuência dos próprios pais, como um envolvendo um
garoto de 9 anos dePetrópolis. A mãe
resolveu tirar satisfação com a criança que constantemente agredia seu filho na
escola e na rua, mas o pai do outro garoto, em resposta, procurou a mãe do
outro garoto chamado de "boiola" e "magrelo". Ela foi
empurrada em uma galeria, atingida no rosto, jogada no chão e ainda teve uma
costela fraturada. O caso registrado em um vídeo foi veiculado na internet e
ganhou os principais jornais e telejornais brasileiros.52 53
Em 2011,
a 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou uma escola
privada a pagar indenização a uma vítima de bullying.54
Em 2011,
o Massacre de
Realengo, no qual 12 crianças morreram alvejadas por tiros, foi
atribuído, por ex-estudantes da escola e ex-colegas do atirador, a uma vingança
por bullying.55 O atirador, que se suicidou durante a
tragédia, também citou o bullying como a motivação para o crime nos
vídeos recuperados pela polícia durante as investigações.56 57
Um garoto de Campo Grande (MS)
do oitavo ano de ensino fundamental foi obrigado por outro garoto a passar por
diversas situações vexatórias, como fazer atividades escolares e pagar lanches
para ele na escola para ser poupado de agressões físicas.58 59 O caso avançou para a extorsão de
dinheiro, causando à vítima a subtração de cerca de R$ 500 em em ano.58 O caso foi parar na 27º Promotoria da
Infância e Juventude do município que apurou, por meio de ligações telefônicas,
que realmente ocorria a extorsão, e a um flagrante feito pela polícia, quando o
garoto daria mais R$ 50 ao agressor.58 Penalizado, o garoto foi submetido a
ações previstas no programa contra violência e evasão escolar, o Procese, em
desenvolvimento no município há dois anos. O valor subtraído foi pago pela mãe
do Valentão aos pais do garoto agredido.58 O bullie de 13 anos foi obrigado pela
promotoria a levar os pratos utilizados durante a merenda e a lavar o pátio
escolar durante 3 meses, além de poder ter de frequentar um curso sobre bullying.58
Também em fevereiro de
2012, pais de duas adolescentes de Ponta Grossa, no Paraná,
foram condenados pela Justiça após uma denúncia de cyberbullying, cometida pelas filhas, a pagar
R$ 15 mil de indenização por danos morais para
a família da vítima.63 Duas
colegas de sala da vítima teriam conseguido a senha de uma página de relacionamentos na
internet e violaram a conta da adolescente, postando mensagens pornográficas e alterando a fotografia do
perfil.63 Após
postar as mensagens, as autoras ainda cancelaram a senha da vítima, o que
impediu que ela soubesse o que estava acontecendo.64
Por favor, não descuidem de suas crianças...